Undime Bahia debate construção de novos planos decenais de educação durante Encontro Territorial em Castro Alves
A construção dos novos planos decenais de educação dos municípios foi um dos temas de destaque durante o Encontro Territorial da Undime Bahia, realizado em Castro Alves, no Recôncavo. O evento reúne representantes de municípios dos territórios do Recôncavo, Baixo Sul, Vale do Jiquiriçá e Metropolitano de Salvador para discutir desafios e estratégias voltadas ao fortalecimento da educação pública municipal.
Durante entrevista à Web TV Undime Bahia, a professora Dra. Alessandra Assis ressaltou a necessidade de os municípios iniciarem ou avançarem na elaboração de seus planos, considerando que o processo precisa resultar em documentos realistas, executáveis e alinhados às necessidades de cada território.
Segundo a professora, o planejamento educacional é previsto na Constituição Federal e constitui uma importante ferramenta de gestão e de articulação entre União, estados e municípios. Os planos devem estabelecer objetivos e estratégias capazes de garantir o direito à educação, considerando as condições concretas de cada rede de ensino.
“Não tem tempo de sobra”, destacou Alessandra, ao chamar a atenção para o período já transcorrido desde a aprovação do novo Plano Nacional de Educação e para a necessidade de os municípios avançarem na construção de seus respectivos planejamentos.
Planejamento deve considerar realidade de cada município
Na avaliação apresentada durante o encontro, a elaboração dos planos não deve partir da ideia de que todo o trabalho realizado anteriormente precisa ser descartado. É necessário identificar o que funcionou nos planos anteriores, reconhecer os avanços alcançados e, ao mesmo tempo, apontar os desafios que ainda precisam ser enfrentados.
O planejamento deve partir de um diagnóstico da realidade local, identificando demandas de diferentes grupos sociais e populações que historicamente enfrentam dificuldades de acesso e permanência na escola.
Entre os segmentos que precisam ser considerados estão comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, pessoas adultas não alfabetizadas e demais grupos em situação de vulnerabilidade.
A proposta é que o poder público e a sociedade participem da construção de estratégias capazes de superar desigualdades e garantir o direito à educação como um direito humano fundamental.
Educação integral é apontada como desafio e oportunidade
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a educação integral em tempo integral, que ganha espaço no novo planejamento educacional. A avaliação é de que a ampliação dessa política representa, ao mesmo tempo, um desafio para os municípios e uma oportunidade de melhorar as condições oferecidas aos estudantes.
A discussão ocorreu justamente em uma escola de tempo integral de Castro Alves, onde foram destacados investimentos em infraestrutura, espaços esportivos e ambientes destinados a atividades culturais e pedagógicas.
Para Alessandra Assis, a educação em tempo integral exige não apenas investimentos estruturais, mas também atenção à qualidade do ensino, formação dos profissionais e organização das atividades para garantir uma formação mais ampla aos estudantes.
O novo planejamento educacional também incorpora políticas e públicos que ganharam maior visibilidade nos últimos anos, ampliando a necessidade de que os municípios façam diagnósticos mais detalhados de suas realidades.
Encontro fortalece debate sobre educação municipal
A discussão sobre os planos decenais reforça a importância dos Encontros Territoriais da Undime Bahia como espaços de formação, diálogo e articulação entre gestores e profissionais da educação.
A proposta é apoiar os municípios na construção de políticas educacionais que considerem suas especificidades e estabeleçam metas possíveis de serem executadas ao longo dos próximos anos, fortalecendo o regime de colaboração entre os diferentes níveis de governo.
Em Castro Alves, o debate destacou que planejar a educação significa olhar para a realidade de cada município, reconhecer os avanços já conquistados e estabelecer caminhos concretos para garantir o direito de aprender a todos os estudantes.
