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Territorial

“É preciso fortalecer desde a base”, enfatiza Graça, articuladora da Renalfa ao falar do papel dos municípios na alfabetização das crianças

A importância de fortalecer a educação desde os primeiros anos de escolarização foi destaque durante o Encontro Territorial da Undime Bahia, realizado em Castro Alves, no Recôncavo Baiano. Entre os temas discutidos está a atuação da Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa), voltada ao fortalecimento das políticas de alfabetização.

Representando o NT6, a articuladora regional da Renalfa e representante do município de Gandu, Graça Moreira, ressaltou que a construção de uma educação básica de qualidade começa pela valorização da educação infantil e dos anos iniciais.

Segundo ela, políticas públicas precisam priorizar a base da formação escolar para que os resultados educacionais sejam efetivamente alcançados.

“A base começa lá na educação infantil, passa pelos anos iniciais, anos finais e chega ao ensino médio. Se nós não efetivarmos políticas públicas com esse foco de fortalecer desde a base, talvez não consigamos tão cedo os resultados promissores que estamos buscando.”

Alfabetização na idade certa

A Renalfa integra uma estratégia de colaboração nacional relacionada ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, política que busca garantir que as crianças estejam alfabetizadas na idade adequada.

Para Graça Moreira, o trabalho dos municípios precisa ir além da análise dos indicadores. É necessário compreender os números, identificar os desafios e definir estratégias capazes de produzir avanços concretos nas escolas.

“Precisamos analisar os indicadores para além dos números e pensar quais são as melhores estratégias que devem ser implementadas para alcançar resultados ainda melhores. O nosso propósito é chegar ao momento em que possamos dizer: nossas crianças estão alfabetizadas na idade certa.”

Formação transforma política pública em prática

Outro ponto destacado pela articuladora foi a importância da formação continuada dos profissionais que atuam nas redes municipais.

Segundo Graça, programas e políticas públicas nacionais oferecem conhecimentos e ferramentas importantes, mas os resultados dependem da capacidade dos municípios de transformar essas orientações em ações concretas.

“As políticas, por si só, não melhoram nenhum indicador. É preciso que as pessoas que estão no entorno dessas políticas desenvolvam as ações necessárias. É no chão da escola, no chão da sala de aula, que a política pública acontece.”

Ela defendeu ainda que os profissionais das secretarias municipais ampliem seus conhecimentos teóricos e práticos para melhorar a implementação das políticas educacionais.

“É preciso fazer o dever de casa”

Durante a entrevista, Graça também reforçou a responsabilidade dos municípios na implementação das políticas nacionais. Para ela, programas federais e estaduais precisam ser apropriados pelas redes municipais e transformados em ações permanentes.

“Quanto mais conhecimento teórico e prático os técnicos dos municípios conseguirem adquirir, maior será o repertório para implementar essas políticas públicas. É preciso fazer o dever de casa.”

A avaliação é de que o fortalecimento das equipes técnicas é essencial para garantir continuidade e qualidade às ações de alfabetização, independentemente da duração dos programas ou políticas governamentais.

Educação feita por muitas mãos

O encontro em Castro Alves também reforçou a importância da colaboração entre os territórios. Ao reunir municípios de diferentes regiões da Bahia, a iniciativa cria oportunidades para compartilhar experiências e construir estratégias coletivas.

Graça Moreira destacou que o trabalho colaborativo permite que cada município leve para sua realidade novos conhecimentos e práticas.

“É uma honra estar aqui falando de educação pública de qualidade e, sobretudo, de um encontro marcado pela territorialidade. São vários territórios pensando juntos para implementar juntos, cada um no seu espaço, fazendo o melhor possível.”

A participação da Renalfa no Encontro Territorial da Undime Bahia reforça, assim, a necessidade de unir gestão, formação, colaboração e prática pedagógica para garantir que as políticas de alfabetização cheguem efetivamente às salas de aula e contribuam para que cada criança tenha assegurado o direito de aprender.

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