Primeiras infâncias e alfabetização também ganham destaque na pauta do Encontro Territorial da Undime Bahia em Seabra
A primeiras infâncias e as políticas de alfabetização estiveram entre os principais temas debatidos no segundo e último dia do Encontro Territorial da Undime Bahia, realizado em Seabra, na Chapada Diamantina. A programação reforçou a importância da formação continuada, da articulação entre municípios e da consolidação de políticas públicas permanentes para garantir avanços na educação das crianças.
Durante a cobertura do evento, Aline Novais, uma das articuladoras que atuam no território da Chapada Diamantina, destacou o trabalho desenvolvido nos últimos anos para fortalecer a formação e o acompanhamento dos municípios. Segundo ela, a região possui um histórico de mais de duas décadas de organização e formação, que vem sendo ampliado por meio da articulação entre as redes municipais, o Estado e a Undime.
Aline ressaltou que a atuação conjunta das articuladoras tem permitido um acompanhamento mais próximo dos municípios, favorecendo a troca de experiências e a disseminação de práticas exitosas. A estratégia busca identificar ações que apresentam bons resultados em determinado município e compartilhá-las com outras redes, contribuindo para o aprimoramento das políticas educacionais em todo o território.
Os resultados, segundo a articuladora, já são percebidos. Dos 24 municípios que integram o território, apenas dois não haviam alcançado determinada meta no ciclo anterior, enquanto a expectativa para o novo período é de que todos consigam avançar. Para ela, a formação continuada precisa permanecer como uma política permanente, independentemente da existência de programas ou incentivos específicos do Governo Federal.
Primeira infância como prioridade
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de colocar a primeira infância no centro das decisões das políticas públicas. A educação infantil, especialmente as etapas de creche e pré-escola, foi apontada como fundamental por representar a porta de entrada da criança na educação básica.
A avaliação é de que os municípios precisam olhar com maior atenção para os dados, estruturar suas políticas e garantir que as ações voltadas à primeira infância estejam devidamente planejadas e institucionalizadas. Nesse sentido, os gestores são chamados a transformar iniciativas isoladas em políticas públicas permanentes.
Selo como instrumento de avaliação
A programação também abordou a terceira edição do Selo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que, neste ciclo, ganha importância não apenas como reconhecimento das ações desenvolvidas pelos municípios, mas também como instrumento para avaliar e fortalecer as políticas municipais de alfabetização.
Aline Novais explicou que o selo tem contribuído para estimular os municípios a registrar, comprovar e institucionalizar as iniciativas realizadas. Segundo ela, muitas redes já desenvolviam ações positivas, mas nem sempre possuíam mecanismos para documentar e comprovar essas práticas.
A proposta, portanto, é avançar de uma lógica baseada apenas na realização de ações para uma política estruturada, com leis, decretos, registros e evidências que garantam continuidade às iniciativas. A transformação das ações em legislação é considerada fundamental para que as políticas de alfabetização não dependam exclusivamente de uma determinada gestão.
Política de Estado
Durante o diálogo, também foi reforçada a diferença entre uma política de governo e uma política de Estado. A defesa apresentada é de que os avanços conquistados na educação precisam permanecer mesmo diante das mudanças administrativas, garantindo continuidade às ações de alfabetização e de atenção à primeira infância.
A articulação entre Undime, Secretaria da Educação do Estado, Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa) e municípios foi apontada como um dos fatores que têm contribuído para fortalecer o trabalho no território.
O encontro em Seabra encerrou sua programação destacando que a cooperação entre os diferentes atores da educação é essencial para enfrentar os desafios das redes municipais. A perspectiva é de que a formação, o acompanhamento dos indicadores e a institucionalização das políticas possam contribuir para consolidar avanços na alfabetização e garantir mais atenção às crianças desde os primeiros anos de vida.
