Território do Sisal se consolida como referência para o planejamento educacional na Bahia, destaca Maria Couto
O município de Araci sediou, nesta sexta-feira (17), o Encontro Territorial de Educação e Regime de Colaboração, reunindo gestores, dirigentes municipais de educação, conselheiros, representantes de universidades e instituições parceiras para discutir os desafios da construção dos novos Planos Municipais e Estadual de Educação.
Durante entrevista concedida à Web TV Undime Bahia, a professora Maria Couto, integrante do Fórum Estadual de Educação da Bahia (FEE-BA), destacou que o Território do Sisal tornou-se uma referência estadual por sua experiência na elaboração de diagnósticos educacionais e na construção de políticas públicas baseadas em evidências e participação social.
Trabalho iniciado em 2024
Segundo Maria Couto, o território iniciou, ainda em 2024, um amplo processo de pesquisa e levantamento de informações sobre a realidade educacional dos municípios, envolvendo coordenadores das equipes técnicas responsáveis pelo monitoramento dos planos de educação.
O trabalho resultou na criação de um importante banco de dados sobre a educação regional e fortaleceu a cultura de mobilização já existente no Território do Sisal. “Foi um trabalho muito importante, que deixou um grande legado, considerando a tradição que essa região tem de mobilização, conscientização e compromisso com a qualidade da educação, sempre com forte participação da sociedade civil”, afirmou.
Observatório gera livro com indicadores educacionais
Um dos principais resultados dessa iniciativa foi o desenvolvimento do Observatório do Território do Sisal, que reuniu indicadores educacionais, diagnósticos e análises produzidas por pesquisadores e profissionais da própria região.
Durante o encontro em Araci, foi lançado um livro digital (e-book) que reúne esses estudos, apresentando dados sobre a situação educacional dos municípios e análises que servirão de base para a elaboração dos novos Planos Municipais de Educação.
De acordo com Maria Couto, a publicação representa uma importante ferramenta para orientar os gestores na definição de objetivos, metas e estratégias para os próximos dez anos.
Atualização dos diagnósticos é o maior desafio
Na entrevista, a professora ressaltou que o principal desafio dos municípios neste momento é atualizar os diagnósticos educacionais para que os novos planos estejam alinhados ao Plano Nacional de Educação e ao novo Plano Estadual de Educação da Bahia.
Ela explicou que esse processo conta com o apoio do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (SASE), além das secretarias estaduais e de equipes técnicas que acompanham os municípios em todas as etapas da elaboração dos planos.
Segundo Maria Couto, esse trabalho exige integração entre União, estados e municípios para garantir metas consistentes e compatíveis com a realidade local.
Prazo exige mobilização dos municípios
A integrante do Fórum Estadual de Educação alertou para a necessidade de os municípios cumprirem o cronograma nacional de elaboração dos novos planos decenais.
Ela lembrou que os municípios terão 15 meses para concluir e aprovar seus Planos Municipais de Educação após a promulgação do novo Plano Nacional de Educação, prazo que exige organização, planejamento e mobilização das equipes técnicas.
Maria Couto destacou ainda que o cronograma nacional prevê o acompanhamento permanente das informações enviadas pelos municípios, estados e União, permitindo avaliações periódicas e possíveis ajustes nas políticas educacionais.
Experiência do Sisal inspira outros territórios
Para a professora, o Território do Sisal já dispõe de instrumentos e metodologias capazes de orientar esse processo e pode servir de modelo para os demais territórios de identidade da Bahia.
Ela reforçou que a experiência construída na região demonstra a importância da gestão democrática, da participação social e do planejamento colaborativo como elementos essenciais para fortalecer a educação pública.
Ao encerrar a entrevista, Maria Couto convidou os demais territórios baianos a integrarem esse esforço coletivo. “Estamos chamando os outros territórios para congregarem conosco nesse trabalho. O planejamento educacional precisa ser construído de forma integrada e participativa para garantir uma educação cada vez mais forte e de qualidade para todos”, concluiu.
