Coordenadora dos Conselhos Municipais de Educação na Bahia reforça compromisso com a defesa das escolas do campo durante evento na UESB
A defesa da Educação do Campo e o fortalecimento da atuação dos Conselhos Municipais de Educação estiveram entre os principais temas debatidos durante o II Encontro Internacional e XI Encontro Territorial Baiano de Educação do Campo do Programa FormaCampo, realizado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista.
Em entrevista à Web TV Undime Bahia, a professora Dra. Gilvânia Nascimento, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e coordenadora estadual dos Conselhos Municipais de Educação, destacou que a Educação do Campo deve ser compreendida como um projeto estratégico para o desenvolvimento do país, e não apenas como uma pauta das comunidades rurais.
Segundo a professora, os desafios enfrentados pelas escolas do campo impactam diretamente toda a sociedade. Ela ressaltou que os Conselhos Municipais de Educação precisam assumir protagonismo na defesa do direito à educação, especialmente diante do avanço do fechamento de unidades escolares em áreas rurais.
Durante o encontro, uma das propostas em discussão é a construção de um protocolo de enfrentamento ao fechamento das escolas do campo. A iniciativa pretende estabelecer orientações técnicas, pedagógicas e jurídicas que assegurem o respeito à legislação e garantam o direito das populações do campo ao acesso à educação pública de qualidade.
Gilvânia Nascimento enfatizou que qualquer processo relacionado ao encerramento de atividades de escolas rurais deve ser pautado pelo diálogo com as comunidades, pela análise técnica e pelo cumprimento da legislação educacional, evitando decisões unilaterais que comprometam o direito dos estudantes.
Outro ponto abordado foi a necessidade de fortalecer a identidade da Educação do Campo por meio de currículos que valorizem a cultura, os saberes e os modos de vida das populações rurais. Para a coordenadora, é fundamental que as escolas localizadas no campo desenvolvam propostas pedagógicas alinhadas às especificidades desses territórios.
A professora também chamou atenção para a realidade dos estudantes do campo que frequentam escolas urbanas. Nesse contexto, defendeu a construção de currículos mais inclusivos, capazes de reconhecer e respeitar a diversidade cultural dos povos do campo, promovendo uma educação pública que dialogue com diferentes identidades e experiências.
“O fortalecimento da Educação do Campo passa pela valorização de sua identidade, pelo respeito às comunidades e pela garantia do direito à educação em seus próprios territórios”, reforçou a educadora durante a entrevista.
O debate integra a programação do FormaCampo, evento que reúne pesquisadores, gestores públicos, educadores, estudantes e representantes de movimentos sociais para discutir políticas públicas e estratégias voltadas ao fortalecimento da Educação do Campo na Bahia e no Brasil.
