Escolas multisseriadas ganham destaque em debate sobre o futuro da educação do campo no Brasil
A valorização das escolas multisseriadas e o fortalecimento da educação do campo estiveram entre os temas centrais debatidos durante encontro nacional que reúne especialistas, gestores e pesquisadores da educação pública em Salvador. A discussão ocorre em um momento decisivo para a implementação do primeiro Sistema Nacional de Educação (SNE) e dos novos planos decenais de educação.
Em entrevista à Web TV Undime Bahia, a professora doutora Terciana Vidal Moura, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), ressaltou a importância do seminário como espaço de construção de políticas públicas voltadas ao futuro da educação brasileira.
Segundo a pesquisadora, o evento reúne pautas estratégicas para o fortalecimento da educação pública e representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre temas historicamente pouco contemplados nas políticas educacionais, entre eles a realidade das escolas multisseriadas.
Teeciana destacou o trabalho desenvolvido pela Rede Múlti, iniciativa que busca fortalecer a discussão sobre as escolas multisseriadas no país e defender a identidade da educação do campo. Para ela, o reconhecimento dessas unidades escolares é fundamental para garantir o direito à educação das populações que vivem em áreas rurais.
“A Rede Múlti tem tentado trazer a pauta das escolas multisseriadas para o centro do debate nacional, porque historicamente esse tema foi negligenciado nos planos e políticas de educação. Hoje estamos garantindo esse espaço em um evento tão importante para pensar o fortalecimento da educação do campo enquanto projeto de sociedade”, afirmou.
A professora também chamou atenção para a necessidade de superar preconceitos em relação à organização multisseriada das turmas. De acordo com ela, experiências nacionais e internacionais demonstram que o modelo pode apresentar resultados positivos quando acompanhado de políticas públicas adequadas.
“O problema não está na organização multisseriada. O que precisamos são condições adequadas, formação continuada para os professores, valorização profissional, infraestrutura, currículos contextualizados e sistemas de avaliação compatíveis com a realidade dessas escolas”, explicou.
Terciana ressaltou ainda que diversos países já reconhecem a eficácia desse formato de ensino e que, no Brasil, experiências exitosas comprovam que as classes multisseriadas podem garantir aprendizagem de qualidade para crianças e adolescentes do campo.
A educadora também destacou a importância do novo PronaCampo, política federal voltada para a educação do campo, das águas e das florestas. Segundo ela, a inclusão das escolas multisseriadas entre as prioridades da iniciativa representa um avanço significativo para o fortalecimento da identidade das escolas rurais e para a consolidação de políticas públicas específicas para esses territórios.
As discussões realizadas em Salvador reforçam a necessidade de ampliar o diálogo sobre modelos educacionais que respeitem as diversidades territoriais brasileiras, garantindo que estudantes do campo tenham acesso a uma educação de qualidade, conectada às suas realidades e necessidades.
