Educação do campo e diversidade territorial pautam debates em encontro nacional de gestores educacionais em Salvador
Salvador segue recebendo representantes de diferentes estados brasileiros para discutir os rumos da educação pública no país. Durante a programação do encontro nacional promovido pela Undime, um dos temas em destaque foi a implementação dos novos planos decenais de educação e os desafios trazidos pelo primeiro Sistema Nacional de Educação (SNE).
Em entrevista à Web TV Undime Bahia, o professor Salomão Haje, representante do Fórum Paraense de Educação do Campo (FPA), destacou a importância de transformar em ações concretas os avanços conquistados na legislação educacional brasileira.
Segundo o educador, a recente aprovação do novo Plano Nacional de Educação representa um marco para as populações do campo, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e demais comunidades tradicionais. No entanto, ele ressaltou que o principal desafio está em garantir que as escolas localizadas em pequenas comunidades tenham acesso à infraestrutura adequada, financiamento e condições dignas para assegurar o direito à educação.
“O grande desafio hoje é fazer com que as escolas que estão nas pequenas comunidades possam ter qualidade, infraestrutura, financiamento e todas as condições adequadas para garantir o direito à educação das pessoas nos territórios onde vivem”, afirmou.
Salomão também destacou que os estados e municípios precisam iniciar desde já o processo de construção e adequação dos seus planos estaduais e municipais de educação, sem esperar o prazo legal previsto após a promulgação do PNE. Para ele, o planejamento é fundamental para assegurar avanços efetivos na qualidade da educação pública.
Outro ponto abordado foi a necessidade de fortalecer os referenciais curriculares voltados para a educação do campo. O professor defendeu que o currículo escolar e a formação dos professores estejam alinhados à diversidade social, cultural e territorial existente no Brasil.
Ele citou ainda a aprovação do novo Pronacampo, política voltada à educação do campo, das águas e das florestas, que prevê programas e ações destinados a garantir que o ensino dialogue com a realidade das comunidades atendidas.
“O Brasil é imenso e diverso. As populações já têm esse direito assegurado na legislação. Agora, é preciso fazer com que isso aconteça na prática”, enfatizou.
As discussões reforçam a importância de políticas educacionais que reconheçam as especificidades dos territórios e promovam uma educação inclusiva, capaz de atender às diferentes realidades presentes no país.
