Participação social é apontada como elemento essencial na construção dos novos planos de educação
A importância da participação social na elaboração dos novos planos decenais de educação foi um dos temas centrais debatidos durante o VII Encontro da Rede de Fóruns Municipais de Educação da Bahia, realizado em Salvador e integrado à programação do XXXII Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação (ANPAE).
Em entrevista à Web TV Undime Bahia, Marinalva Nunes Fernandes destacou o papel estratégico dos fóruns municipais de educação na mobilização da sociedade para a construção de políticas públicas capazes de refletir as necessidades e especificidades de cada território.
Segundo a educadora, o momento vivido pela educação brasileira exige o fortalecimento dos espaços democráticos de participação, ampliando o envolvimento de movimentos sociais, sindicatos, associações, instituições públicas e demais segmentos da sociedade civil nos processos de planejamento educacional.
“Os fóruns têm uma missão fundamental de mobilizar e agregar mais pessoas ao debate educacional. Precisamos envolver movimentos sociais, sindicatos, associações e diferentes setores da sociedade para que a construção dos planos seja verdadeiramente participativa”, afirmou.
Marinalva ressaltou que os planos municipais e estaduais de educação devem ser compreendidos como políticas de Estado, ultrapassando gestões e governos, o que torna ainda mais necessária a participação coletiva em sua elaboração e acompanhamento.
“Estamos construindo planos de Estado. Por isso, é fundamental que todos se comprometam com esse processo, contribuindo para que essas políticas públicas sejam construídas de forma democrática e representativa”, destacou.
Durante a conversa, a educadora também enfatizou que, embora o Plano Nacional de Educação ofereça diretrizes e orientações gerais para todo o país, os municípios precisam considerar suas realidades específicas na formulação de metas e estratégias.
“O plano nacional é uma referência importante, mas cada município possui características próprias. É preciso olhar para as especificidades dos territórios, compreender suas demandas e construir respostas adequadas para cada realidade local”, explicou.
Para ela, a diversidade existente entre os municípios brasileiros deve ser vista como uma riqueza que contribui para o aprimoramento das políticas educacionais.
“Temos municípios de diferentes tamanhos, contextos sociais e culturais distintos. É justamente essa diversidade que fortalece a construção das políticas públicas e exige um planejamento atento às particularidades de cada localidade”, observou.
Marinalva chamou atenção ainda para a importância da realização de diagnósticos consistentes durante o processo de elaboração dos novos planos municipais de educação, permitindo que gestores e comunidades identifiquem desafios, potencialidades e prioridades de cada território.
“É fundamental que os municípios façam um diagnóstico cuidadoso de sua realidade e que, mesmo seguindo as orientações nacionais, não percam de vista as características próprias de suas comunidades”, afirmou.
O encontro da Rede de Fóruns Municipais de Educação da Bahia tem reunido representantes de diversos territórios do estado para discutir os desafios da gestão democrática, da participação social e da construção dos novos planos educacionais, reforçando o papel dos fóruns como espaços permanentes de diálogo e acompanhamento das políticas públicas.
As discussões realizadas em Salvador reafirmam a necessidade de fortalecer os mecanismos de participação popular e de garantir que a elaboração dos novos planos de educação seja conduzida de forma democrática, colaborativa e conectada às necessidades reais das comunidades escolares e dos territórios baianos.
