Ilê Aiyê destaca papel da cultura e da educação no combate ao racismo durante simpósio nacional
O segundo dia do XXXII Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação e do II Colóquio Políticas e Gestão da Educação Básica contou com uma participação especial que uniu cultura, identidade e educação. Em entrevista à Web TV Undime Bahia, o fundador e dirigente do Ilê Aiyê, conhecido como Vovô do Ilê, destacou a trajetória da entidade e sua contribuição histórica para a valorização da população negra e para a formação educacional de crianças e jovens.
Durante a conversa, ele relembrou que o Ilê Aiyê nasceu como o primeiro bloco afro do Brasil, com o propósito de combater o racismo e fortalecer a identidade negra por meio da cultura. Segundo ele, a música sempre foi uma das principais ferramentas utilizadas pelo grupo para informar, educar e promover reflexões sobre a história e a cultura afro-brasileira.
“Desde os primeiros anos, o Ilê sempre trabalhou com temas ligados às nações africanas e à valorização da população negra. Nossas músicas ensinam, informam e ajudam a resgatar a autoestima do povo negro”, afirmou.
Vovô do Ilê destacou ainda que a atuação da entidade ultrapassou os limites do carnaval e passou a investir diretamente em projetos educacionais. Entre as iniciativas citadas estão a Escola Mãe Hilda e a Band’Erê, que desenvolvem atividades de música, dança, percussão, cidadania e formação profissional para crianças e adolescentes.
Segundo ele, muitos jovens formados por meio dessas ações construíram trajetórias de sucesso no Brasil e em outros países, levando consigo a experiência adquirida na instituição. “Hoje temos pessoas espalhadas pelo Brasil, pela Europa e pelo mundo que passaram pelos projetos do Ilê Aiyê”, ressaltou.
Ao abordar os desafios da educação pública, o dirigente defendeu uma aplicação mais efetiva das legislações que tratam do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Para ele, apesar dos avanços legais, ainda existem dificuldades para transformar essas determinações em práticas concretas no cotidiano educacional.
“O problema não é apenas ter a lei. É preciso fazer com que ela funcione na prática”, observou.
Encerrando a entrevista, Vovô do Ilê deixou uma mensagem aos gestores educacionais dos municípios baianos, reforçando a importância dos investimentos em educação e cultura como instrumentos de transformação social.
“A gente vai ficar melhor. É só investir mais um pouco na cultura e na educação. Com certeza, vai ficar melhor”, concluiu.
A participação do representante do Ilê Aiyê reforçou um dos principais temas debatidos durante o simpósio: a construção de uma educação mais inclusiva, democrática e comprometida com a diversidade cultural e racial do país.
