Recomposição das aprendizagens é tema de oficina da Undime Bahia durante Encontro Territorial em Juazeiro
A recomposição das aprendizagens foi um dos principais temas debatidos na programação do primeiro Encontro Territorial da Undime Bahia, realizado em Juazeiro. A oficina, conduzida pela assessora técnica da Undime Bahia, Meg Heloise, reuniu dirigentes municipais de educação, equipes técnicas das secretarias e profissionais da área para discutir estratégias capazes de reduzir as defasagens de aprendizagem e fortalecer a qualidade da educação pública nos municípios baianos.
A atividade integrou a programação de cinco oficinas promovidas durante o primeiro dia do encontro, que marca o início de uma série de sete eventos territoriais organizados pela Undime Bahia para fortalecer a gestão educacional e as políticas públicas nos 417 municípios do estado.
Recomposição vai além dos impactos da pandemia
Durante entrevista à Web TV Undime Bahia, Meg Heloise destacou que, embora a pandemia tenha ampliado os desafios da aprendizagem, a recomposição não deve ser compreendida apenas como uma resposta ao período de ensino remoto.
Segundo ela, trata-se de um processo permanente das redes de ensino, que precisa considerar as diferentes formas de aprender e as diversas realidades vividas pelos estudantes.
“A recomposição das aprendizagens é um processo que precisa acontecer continuamente. Temos um impacto provocado pela pandemia, mas também precisamos reconhecer que os estudantes aprendem de maneiras diferentes e que diversos fatores influenciam esse processo”, explicou.
A assessora lembrou que apenas em 2031 as escolas terão estudantes que não passaram, em nenhum momento de sua trajetória escolar, pelos efeitos da pandemia da Covid-19.
Dados orientam estratégias pedagógicas
Durante a oficina, os participantes discutiram como utilizar os resultados das avaliações educacionais para planejar intervenções pedagógicas mais eficazes.
A proposta foi apresentar caminhos para que os municípios construam estratégias de recomposição das aprendizagens a partir da análise dos dados de desempenho dos estudantes, respeitando as especificidades de cada território.
Segundo Meg Heloise, os planos de ação precisam contemplar diferentes eixos, como formação continuada dos professores, currículo, avaliação e produção de materiais pedagógicos.
Ela também destacou que os municípios têm até o final de agosto para inserir no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (SIMEC) seus planos de ação voltados à recomposição das aprendizagens.
“Nossa intenção foi discutir com as redes de ensino quais intervenções são possíveis a partir da leitura dos dados e como cada município pode construir estratégias adequadas à sua realidade”, afirmou.
Territorialidade deve orientar as políticas educacionais
Outro aspecto enfatizado durante a entrevista foi a necessidade de considerar as características sociais, culturais e geográficas dos territórios na formulação das políticas públicas de educação.
Ao comentar a palestra magna realizada na abertura do encontro, Meg destacou que compreender a territorialidade é essencial para elaborar currículos, planejamentos e ações pedagógicas que dialoguem com a realidade dos estudantes.
Segundo ela, o território não deve ser entendido apenas como um espaço geográfico, mas também como um ambiente marcado por identidades culturais, relações sociais e construção de pertencimento.
“Quando falamos em recomposição das aprendizagens, também falamos de território, de currículo e de planejamento. O estudante precisa se reconhecer nesse território para fortalecer seu sentimento de pertencimento e seu processo de aprendizagem”, ressaltou.
Formação fortalece a gestão educacional
A oficina integra a proposta dos Encontros Territoriais da Undime Bahia, iniciativa que promove formação continuada para dirigentes municipais de educação, técnicos das secretarias e demais profissionais da área.
Ao reunir especialistas, gestores e educadores, os encontros buscam fortalecer o regime de colaboração entre Estado e municípios e apoiar as redes municipais na construção de políticas educacionais alinhadas às necessidades de cada território, contribuindo para uma educação pública mais inclusiva, equitativa e de qualidade.
