Alfabetização na idade certa e continuidade das políticas públicas pautam oficina da Undime Bahia em Juazeiro
A alfabetização das crianças e a continuidade das políticas públicas educacionais estiveram entre os principais temas debatidos durante o Encontro Territorial da Undime Bahia, realizado em Juazeiro. A oficina reuniu dirigentes municipais de educação, articuladores e equipes técnicas para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento da aprendizagem na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental.
Durante entrevista à Web TV Undime Bahia, a articuladora regional da Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa), Letícia Castro, destacou que a atividade teve como foco o aperfeiçoamento das práticas de avaliação da alfabetização e o fortalecimento do trabalho desenvolvido pelas secretarias municipais de educação.
Segundo ela, ao longo da oficina foram debatidos estudos de caso baseados em situações vivenciadas nas escolas, permitindo a troca de experiências entre os participantes e a construção de soluções para os desafios enfrentados pelos municípios.
“Discutimos a avaliação da alfabetização, analisamos estudos de caso e tivemos momentos de grande aprendizado, com uma participação significativa dos articuladores municipais da Renalfa”, afirmou.
Trabalho em rede fortalece a alfabetização
Letícia ressaltou que a alfabetização é resultado de um trabalho coletivo, desenvolvido por uma ampla rede de profissionais comprometidos com a melhoria da qualidade da educação.
Ela explicou que o conceito de alfabetização vai além da aprendizagem da leitura e da escrita, abrangendo também a alfabetização matemática, fortalecida por iniciativas como a Renamate.
Segundo a articuladora, o trabalho em rede cria uma conexão entre os diversos níveis de governança educacional e a realidade da sala de aula.
“A gente não é muro, a gente é ponte. Fazemos a ligação entre a governança e quem mais precisa das políticas públicas, que são os professores e os estudantes na sala de aula”, destacou.
Continuidade das políticas é fundamental
Outro ponto enfatizado durante a entrevista foi a necessidade de garantir continuidade às políticas públicas de alfabetização, independentemente das mudanças de gestão nos municípios, estados ou na União.
Letícia lembrou que a Bahia vem apresentando avanços nos indicadores de alfabetização, mas ressaltou que ainda existem desafios importantes para assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas na idade adequada.
Para ela, interromper programas educacionais compromete os resultados já alcançados e dificulta a evolução dos indicadores.
“A gente não precisa de políticas de governo, precisa de políticas de Estado. A palavra-chave é continuidade”, afirmou.
Ela também incentivou os municípios a consolidarem suas próprias políticas de alfabetização, fortalecendo o regime de colaboração e garantindo que as ações permaneçam ao longo dos anos.
Cada ano traz novos desafios
Ao encerrar a entrevista, Letícia reforçou que a alfabetização é uma política permanente, já que, a cada ano letivo, novas crianças ingressam no processo de aprendizagem.
“Todos os anos temos crianças diferentes. O aluno do segundo ano precisa estar alfabetizado hoje, e no ano que vem teremos outros estudantes. Por isso, essa é uma política que precisa seguir continuamente”, concluiu.
A oficina integrou a programação do Encontro Territorial da Undime Bahia, que reúne representantes dos Núcleos Territoriais de Educação (NTEs) 10, 16, 24 e 25 para discutir práticas pedagógicas, gestão educacional e ações voltadas ao fortalecimento da educação pública nos municípios baianos.
