Pesquisadora do Maranhão destaca uso pedagógico das tecnologias na educação de estudantes surdos durante Simpósio da ANPAE em Salvador
A discussão sobre inclusão, tecnologia e inovação pedagógica ganhou destaque durante o XXXII Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação, realizado em Salvador. Entre os trabalhos apresentados, a pesquisa da doutora em Educação Silvia Helena, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), chamou a atenção ao abordar a intermedialidade e o bilinguismo como ferramentas para fortalecer o processo de ensino e aprendizagem de estudantes surdos.
Durante entrevista à Web TV Undime Bahia, a pesquisadora explicou que seu estudo busca compreender como diferentes linguagens e recursos tecnológicos podem ser integrados ao ambiente escolar para promover uma educação mais inclusiva. Segundo ela, a intermedialidade consiste na utilização articulada de vídeos, textos, sinalização em Libras e língua portuguesa, aproximando a escola das práticas já presentes no cotidiano dos alunos.
“A pesquisa trata de intermedialidade e bilinguismo na área da surdez. O objetivo é compreender como trazer para a sala de aula elementos que já fazem parte da realidade desses estudantes, utilizando recursos tecnológicos de forma planejada e educativa”, destacou.
A pesquisadora ressaltou que o uso de dispositivos móveis, como celulares, não deve ser encarado apenas como um desafio para as escolas, mas também como uma oportunidade de ampliar estratégias pedagógicas. Para ela, a tecnologia pode contribuir significativamente para o desenvolvimento dos estudantes surdos quando utilizada com objetivos educacionais claros e dentro de um planejamento adequado.
O debate também abordou a aplicação das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a necessidade de compreender corretamente a legislação relacionada ao uso de tecnologias no ambiente escolar. Silvia Helena observou que as normas não devem ser vistas apenas como instrumentos de restrição, mas como orientações que ajudam a garantir um uso responsável e pedagógico dos recursos digitais.
“A legislação precisa ser compreendida para que possamos utilizá-la de forma adequada. O aluno surdo tem direito de estar inserido na atualidade e de ter acesso às ferramentas que fazem parte da sociedade contemporânea”, afirmou.
Durante a conversa, foi destacada ainda a importância de reconhecer a escola como um espaço social diretamente conectado às transformações da sociedade. Nesse contexto, a formação dos educadores e o conhecimento das normas legais tornam-se fundamentais para que as tecnologias sejam utilizadas de maneira ética, segura e eficiente.
A participação da pesquisadora reforçou o papel do simpósio como espaço de reflexão sobre políticas públicas, inclusão e inovação educacional, reunindo especialistas de diversas regiões do país para debater caminhos que contribuam para uma educação cada vez mais democrática e acessível.
