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Bahia

Relatos de experiências fortalecem políticas públicas da Educação do Campo durante o FormaCampo

A apresentação de experiências desenvolvidas por municípios baianos foi um dos destaques da programação do II Encontro Internacional e XI Encontro Baiano de Educação do Campo do Programa FormaCampo, realizado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista. A iniciativa reafirma o papel do programa como espaço de formação continuada, intercâmbio de práticas e fortalecimento das políticas públicas para a Educação do Campo.

Durante uma das mesas temáticas, o professor e mestre Higro Souza Silva, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), destacou a importância dos relatos apresentados por oito municípios, contemplando temas como Diretrizes da Educação do Campo, Educação Integral e Educação Escolar Quilombola.

Segundo o professor, o diferencial do FormaCampo está na capacidade de transformar a formação em ações concretas nos territórios e, posteriormente, promover a socialização dessas experiências entre as redes municipais de ensino.

“O FormaCampo tem se consolidado como uma referência na formação em Educação do Campo porque os municípios participam dos processos formativos, colocam em prática os conhecimentos construídos e depois retornam para compartilhar os resultados alcançados. Esse movimento fortalece toda a rede”, afirmou.

Formação conectada à realidade dos territórios

Higro ressaltou que o crescimento do programa pode ser percebido pelo aumento da participação de cursistas e pelo reconhecimento conquistado dentro e fora da Bahia. Para ele, um dos principais avanços é oferecer uma formação que dialoga diretamente com a realidade das escolas e das comunidades.

“Houve um tempo em que praticamente não existiam formações específicas para as escolas do campo. Hoje vemos professores das redes municipais e estadual inseridos em processos formativos que consideram as características dos territórios onde atuam.”

O professor também destacou que o FormaCampo amplia a participação para além dos profissionais da educação. Lideranças comunitárias, representantes de associações, conselhos e diversos segmentos das comunidades rurais têm participado das atividades, fortalecendo a construção coletiva das políticas educacionais.

“O programa valoriza os territórios e reconhece que a Educação do Campo envolve diferentes sujeitos. Não são apenas os professores que participam. As comunidades também se sentem pertencentes e reconhecidas nesse processo formativo.”

Educação Integral exige planejamento e formação

Durante a entrevista, Higro Souza Silva também abordou os desafios da implementação da Educação Integral em Tempo Integral nas redes públicas de ensino. Segundo ele, mais importante do que ampliar a jornada escolar é compreender a concepção de educação integral e garantir que sua implantação aconteça de forma planejada.

“O município já não discute mais se vai ou não implementar a Educação Integral. O desafio agora é fazer isso com qualidade, respeitando as condições de cada escola e ouvindo a comunidade escolar antes de qualquer decisão.”

Para o pesquisador, a implantação da política deve ser acompanhada por processos permanentes de formação continuada, envolvendo todos os profissionais da escola.

“Não basta apenas implementar a proposta. É fundamental investir na formação de professores, gestores e demais profissionais para que todos compreendam o que significa educação integral e consigam desenvolver práticas coerentes com essa concepção.”

Ao reunir pesquisadores, gestores, professores e representantes de diversos municípios, o FormaCampo reafirma seu papel como um espaço de construção coletiva, fortalecimento das redes de colaboração e valorização das experiências que contribuem para consolidar uma Educação do Campo comprometida com a diversidade, os territórios e o direito à aprendizagem.

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