FormaCampo amplia atuação internacional e fortalece articulação por políticas públicas para a Educação do Campo
O fortalecimento da Educação do Campo como política pública e a construção de uma ampla rede de pesquisadores, gestores e educadores marcaram a abertura do II Encontro Internacional e XI Encontro Territorial Baiano de Educação do Campo do Programa FormaCampo, realizado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista.
Idealizadora do Programa FormaCampo, a professora Arlete Ramos destacou, em entrevista à Web TV Undime Bahia, a trajetória de crescimento da iniciativa, que nasceu na Bahia e hoje reúne pesquisadores e instituições de diversos estados brasileiros e de países da América Latina.
Emocionada ao reencontrar ex-alunos, pesquisadores e educadores participantes do evento, Arlete afirmou que a consolidação do programa representa a concretização de um trabalho construído ao longo de décadas em defesa dos povos do campo.
“É uma emoção muito grande ver essa luta pela Educação do Campo se transformar em um espaço de formação, pesquisa e extensão que fortalece os sujeitos do campo e valoriza sua identidade, sua cultura e a agricultura familiar”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, o FormaCampo surgiu a partir de atividades acadêmicas desenvolvidas na UESB, envolvendo disciplinas voltadas à Educação do Campo, pesquisas de pós-graduação e ações do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (GEPENDEC). Ao longo dos anos, o projeto ampliou sua atuação por meio da produção científica, publicação de livros, artigos e da participação em eventos nacionais e internacionais.
Hoje, a iniciativa integra uma rede de pesquisadores presente em 15 países da América Latina, promovendo intercâmbio de experiências e debates sobre políticas públicas voltadas às populações do campo.
“O nosso propósito é construir uma educação que dê visibilidade e protagonismo aos sujeitos do campo, fortalecendo pesquisas que dialoguem diretamente com a realidade das comunidades rurais”, destacou.
Durante o encontro, Arlete apresentou a programação que reúne conferências, mesas-redondas, grupos de trabalho e relatos de experiências desenvolvidas pelos municípios baianos. Para ela, um dos momentos mais importantes do evento é justamente a apresentação das práticas implementadas pelas redes municipais de ensino.
“Os relatos de experiências mostram como as políticas de Educação do Campo estão sendo construídas nos municípios. É nesse espaço que os gestores e educadores compartilham soluções, desafios e resultados que podem inspirar outras redes de ensino”, explicou.
Outro destaque da programação é o encontro específico com secretários municipais de Educação, promovido com o objetivo de aproximar as universidades das gestões municipais e fortalecer a implementação de políticas públicas voltadas à Educação do Campo.
A professora ressaltou que a participação dos dirigentes municipais é fundamental para enfrentar desafios históricos, como o fechamento de escolas rurais, a escolha de profissionais qualificados para atuar na modalidade e a inclusão da Educação do Campo nos Planos Municipais de Educação.
Segundo Arlete, o diálogo permanente entre universidades, secretarias de educação, Conselhos Municipais de Educação e demais instituições é essencial para consolidar uma política educacional que garanta o direito à aprendizagem das populações rurais.
A pesquisadora também defendeu a ampliação das parcerias institucionais, sugerindo a participação de entidades como a União dos Municípios da Bahia (UPB), além de cooperativas, associações, organizações da agricultura familiar, movimentos sociais e representantes dos poderes públicos.
“Quando universidade, municípios, movimentos sociais, agricultores, conselhos e gestores sonham juntos, esse sonho coletivo pode se transformar em políticas públicas capazes de revolucionar a Educação do Campo na Bahia”, concluiu.
O II Encontro Internacional e XI Encontro Territorial Baiano de Educação do Campo segue até sexta-feira, reunindo pesquisadores, professores, estudantes, gestores públicos e representantes de diversas instituições brasileiras e latino-americanas para discutir experiências, fortalecer redes de cooperação e construir estratégias para o avanço da Educação do Campo no Brasil.
