Carlos Roberto Jamil Cury defende integração entre Plano Nacional e Sistema Nacional de Educação durante conferência em Salvador
A conferência de abertura do XXXII Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação e do II Colóquio Políticas e Gestão da Educação Básica trouxe ao centro do debate os desafios da implementação do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e do Sistema Nacional de Educação (SNE). O encontro, realizado em Salvador, reúne representantes de instituições educacionais, pesquisadores, gestores públicos e dirigentes municipais de todo o país até a próxima quinta-feira.
Responsável pela conferência inaugural, o professor Carlos Roberto Jamil Cury apresentou uma análise histórica da construção das políticas educacionais brasileiras, retomando desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, na década de 1930, até os desafios contemporâneos da gestão educacional.
Durante entrevista concedida após a conferência, Cury destacou a importância do momento vivido pela educação brasileira, marcado pela aprovação do novo Plano Nacional de Educação e pela regulamentação do Sistema Nacional de Educação. Segundo ele, as duas legislações são complementares e precisam atuar de forma integrada para garantir avanços concretos na qualidade da educação pública.
“São duas leis, mas como se fossem duas faces de uma mesma moeda. Uma não pode existir plenamente sem a outra. O Plano Nacional de Educação estabelece metas e diretrizes, enquanto o Sistema Nacional de Educação cria os mecanismos de articulação entre União, estados e municípios para que essas metas sejam efetivamente alcançadas”, afirmou.
O educador ressaltou que eventos como o simpósio desempenham papel fundamental na disseminação do conhecimento sobre as novas legislações e na preparação dos gestores para sua implementação. Para ele, é essencial que os municípios utilizem os diagnósticos já existentes sobre suas realidades educacionais para adaptar as metas nacionais às necessidades locais.
Cury também chamou atenção para a importância dos espaços de pactuação federativa, como as instâncias bipartites e tripartites, que deverão contribuir para a construção de estratégias conjuntas entre os diferentes níveis de governo.
Ao abordar os desafios da educação básica, o professor destacou que os novos instrumentos legais podem favorecer melhorias estruturais nas escolas, ampliando investimentos em infraestrutura, tecnologia e condições adequadas de ensino e aprendizagem.
“É preciso olhar para as necessidades concretas das escolas e dos estudantes. O Sistema Nacional de Educação e o Plano Nacional de Educação preveem mecanismos que podem contribuir para garantir melhores condições de funcionamento das unidades escolares, acesso à internet de qualidade, equipamentos tecnológicos e ambientes adequados para o desenvolvimento educacional”, explicou.
Cury também observou que a expansão do acesso às tecnologias digitais e o avanço da inteligência artificial impõem novos desafios à educação brasileira, exigindo planejamento, investimentos e formação continuada dos profissionais da área.
O XXXII Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação segue com uma extensa programação de debates, conferências e apresentações de pesquisas, consolidando-se como um dos principais espaços de reflexão sobre políticas públicas e gestão educacional no Brasil.
