Pesquisadora da Unifesp defende fortalecimento da educação superior e mais investimentos no novo Plano Nacional de Educação
O terceiro dia do XXXII Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação, realizado em Salvador, foi marcado por importantes reflexões sobre o papel da educação superior no desenvolvimento do país. Durante entrevista à Web TV Undime Bahia, a professora e pesquisadora Maria Angélica Minhoto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou a importância do debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE), o Sistema Nacional de Educação e os desafios para a consolidação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da educação brasileira.
Ao participar do encontro promovido pela Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE), a pesquisadora elogiou a organização do evento e ressaltou a relevância do espaço para a construção de propostas que contribuam para o avanço da educação em todas as suas etapas.
“Estou muito feliz de estar aqui para debater a educação superior, discutir os desafios do Plano Nacional de Educação para os próximos anos e refletir sobre a soberania nacional. A educação superior tem uma função muito importante para proporcionar ao Brasil soberania, porque são as universidades públicas as principais responsáveis pela produção de ciência e tecnologia no país”, afirmou.
Maria Angélica defendeu a necessidade de ampliar os investimentos públicos na educação superior e destacou a importância de integrar o Sistema Nacional de Educação às políticas de ciência, tecnologia e inovação.
“Precisamos pensar o Sistema Nacional de Educação incluindo também a educação superior e o sistema nacional de ciência e tecnologia. O desenvolvimento social, cultural, econômico e político do Brasil passa necessariamente pelo fortalecimento dessas áreas”, ressaltou.
Durante a entrevista, a professora também abordou a relação entre universidades e municípios, destacando os avanços promovidos pela interiorização das instituições públicas de ensino superior e pela expansão dos institutos federais.
Segundo ela, as universidades têm ampliado sua presença nos territórios e fortalecido as ações de ensino, pesquisa e extensão em diálogo com as demandas locais.
“Quanto mais a universidade se abre para os problemas dos municípios, mais inteligente ela fica. Ela aprende com os territórios e, ao mesmo tempo, pode contribuir com conhecimentos e soluções que ajudam no desenvolvimento local”, observou.
A pesquisadora destacou ainda a importância da manutenção do financiamento das universidades públicas e chamou atenção para os desafios enfrentados por instituições comunitárias e confessionais diante da expansão do setor privado com fins lucrativos.
Ao analisar a construção do novo Plano Nacional de Educação, Maria Angélica apontou o financiamento como o principal desafio para o cumprimento das metas previstas para a próxima década.
“Não adianta estabelecer metas e objetivos sem garantir os recursos necessários para concretizá-los. Precisamos assegurar investimentos equivalentes a 10% do PIB para a educação brasileira e impedir novos cortes ou congelamentos de recursos. Sem financiamento adequado, será muito difícil promover as transformações que o país necessita”, enfatizou.
A participação da pesquisadora reforçou os debates realizados durante o simpósio, que reúne educadores, pesquisadores, gestores e estudantes de todo o Brasil para discutir os caminhos da educação pública, o fortalecimento das políticas educacionais e a construção de um projeto nacional comprometido com a democracia, a soberania e a garantia do direito à educação de qualidade.
