Educação de Jovens e Adultos é destaque em debate sobre inclusão e cidadania na Bahia
Durante o segundo dia do encontro da Uncme, em Salvador, o coordenador do Pacto pela Educação de Jovens e Adultos na Bahia, Alexandro Batista, destacou os principais desafios e avanços da modalidade no estado.
Segundo ele, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) ainda enfrenta obstáculos históricos, especialmente por atender uma população que, em sua maioria, foi excluída do sistema educacional ao longo da vida. “Estamos falando de sujeitos que tiveram seu direito negado. A EJA é, antes de tudo, uma política de cidadania”, afirmou.
Um dos dados que mais chamam atenção é o perfil etário dos estudantes: grande parte das pessoas não escolarizadas na Bahia tem 60 anos ou mais, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas à educação ao longo da vida.
Alexandro ressaltou que o fortalecimento da EJA passa pela ampliação das matrículas e, principalmente, pela permanência dos estudantes. Para isso, programas de incentivo têm sido fundamentais, aliados a políticas de apoio como alimentação escolar, material didático e formação de professores.
O coordenador também destacou o papel do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo como um “oxigênio” para a modalidade, reunindo diversas ações voltadas à inclusão educacional. Entre elas estão a retomada de programas de financiamento, distribuição de livros didáticos e investimentos diretos nas escolas.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de atuação conjunta entre Estado, municípios, universidades, conselhos e sociedade civil. “A EJA não se faz sozinha. É uma construção coletiva, que exige diálogo e participação social”, explicou.
Para Alexandro, investir na alfabetização na idade certa também é uma estratégia essencial para reduzir a demanda futura da EJA. “O ideal seria que a EJA nem precisasse existir. Ela existe porque há desigualdade social. Nosso objetivo é garantir que as novas gerações tenham acesso à educação no tempo adequado”, pontuou.
O debate também destacou o papel dos fóruns e movimentos sociais na defesa da modalidade, contribuindo para pressionar o poder público e garantir a continuidade das políticas educacionais.
Encerrando sua participação, o coordenador reforçou o convite para que jovens, adultos e idosos retornem à escola. “A educação é um direito. Nunca é tarde para aprender e transformar a própria realidade”, concluiu.
